Odontograma digital: como registrar a condição de cada dente
Por George Rodrigues · · 7 min de leitura

A ficha de papel da clínica tem o desenho dos dentes impresso no meio. Nele há um "X" a lápis no 36, um círculo de caneta azul no 16 e uma hachura que alguém fez de vermelho em três dentes de cima. Ninguém que está na sala hoje sabe se aquele "X" quer dizer extração feita ou extração indicada, e quem marcou saiu da clínica no ano passado.
Odontograma em papel envelhece assim. O problema não é o desenho: é que cada pessoa inventa a própria legenda, e a legenda não vai junto com a ficha.
No Atendatec o odontograma é uma grade dos 32 dentes, em que cada dente recebe uma condição escolhida numa lista fechada de doze e uma observação escrita por você. Nada de três cores de caneta, e nada de adivinhar o que o colega quis dizer.
Neste guia você vê como a grade é organizada, quais são as doze condições e de onde elas vieram, o que a cor faz e o que a sigla faz, o que o manual do CFO pede e o que o odontograma do Atendatec não faz.
Odontograma digital: a grade dos 32 dentes no atendimento
A grade mostra os 32 dentes permanentes, numerados na notação FDI de dois dígitos, aquela em que o primeiro número é o quadrante e o segundo é a posição do dente. A ordem é sempre a mesma: 18 até 11 e 21 até 28 em cima, 48 até 41 e 31 até 38 embaixo.
Os 32 estão sempre visíveis. O sistema nunca esconde dente, nunca reordena a grade por condição e nunca junta dentes num grupo só. Quem procura o 46 sabe onde ele está hoje, amanhã e daqui a quatro anos.
No computador, as duas arcadas aparecem com os quadrantes lado a lado. No celular, cada quadrante vira uma linha, então você lê os oito dentes sem arrastar a tela para o lado.

O odontograma é o formulário de odontologia dentro do registro clínico do atendimento. Ele não é uma tela separada com vida própria: é parte do que você escreve naquele dia, junto com a evolução e o diagnóstico.
Uma condição por dente, numa lista de doze
Clicar num dente abre uma janela pequena com o título do dente, por exemplo "Dente 26". Dentro dela há duas coisas: a condição, escolhida numa lista, e uma observação em texto livre, para o que a lista não diz.
São doze condições, com a sigla que aparece no quadrado do dente:
- Hígido, sigla H
- Cariado, sigla C
- Restaurado, sigla R
- Restaurado com cárie, sigla Rc
- Ausente, sigla A
- Resto radicular, sigla RR
- Fratura, sigla Fr
- Coroa, sigla Co
- Implante, sigla Im
- Tratamento endodôntico realizado, sigla Te
- Mancha branca ativa, sigla M
- Extração indicada, sigla Ei
Essa lista foi transcrita do bloco de problemas e condições do e-SUS APS, do Ministério da Saúde, que é a tabela brasileira feita para prontuário do dia a dia. Im e Te são só abreviações de tela, para o quadrado do dente caber na grade.
Quatro detalhes que evitam mal-entendido na sala:
É uma condição por dente. O caso comum de dente restaurado que voltou a cariar tem opção própria, "Restaurado com cárie", justamente para você não precisar marcar duas coisas no mesmo dente.
Dente sem marcação é dente não avaliado. Não existe uma marcação para "não olhei". "Hígido" é escolha sua, feita quando você olhou e o dente estava bom, e nunca o estado de quem passou direto.
"Ausente" vale para todo dente que não está na boca, sem dizer por quê. O sistema não pergunta a causa da perda e não deduz causa nenhuma: quem não acompanhou a extração não deveria ser obrigado a afirmar o motivo dela.
"Extração indicada" é você escrevendo a sua conduta. O sistema nunca marca isso sozinho, nunca deduz a partir de outra condição e nunca destaca esse dente na tela.
A lista é fechada: não existe criar condição nova pela tela. Acrescentar uma é decisão de produto, pensada uma vez para todas as clínicas, e não algo que cada consultório resolve do seu jeito, que é exatamente o problema das três canetas coloridas.
A cor ajuda, a sigla identifica
Cada condição tem uma cor, e a cor serve para você achar rápido o que procura na grade. Só isso.
Não existe tom mais forte para caso pior, não existe escala do verde ao vermelho e a cor nunca diz que uma condição é mais séria do que outra. Quem identifica de verdade é a sigla, escrita dentro do quadrado do dente, e ela está lá também para quem não distingue bem as cores, que é bem mais gente do que se imagina.
Embaixo da grade fica a legenda, e ela mostra apenas as condições que aparecem naquele registro. Um atendimento com quatro condições marcadas tem legenda de quatro linhas, e não uma tabela de doze que ninguém lê.
O que o manual do CFO pede
O Manual do Prontuário do CFO, de 2026, classifica o odontograma em três tipos: o descritivo, o por diagrama e um terceiro, com o desenho da forma dos dentes. Ele manda usar a notação FDI de dois dígitos e recomenda manter um odontograma da condição inicial e outro do tratamento executado, para que valham como prova. O que ele não faz é padronizar uma lista de condições nem uma simbologia: a ficha anexa do próprio manual traz odontograma em texto livre.
É por isso que o vocabulário do Atendatec vem do e-SUS APS, e não de uma tabela do conselho que não existe.
Sobre manter a condição inicial e o executado: no Atendatec cada atendimento assinado guarda a grade daquele dia. Você abre o registro de março e vê como estava em março; abre o de setembro e vê como estava em setembro. Comparar os dois é leitura sua, feita com os dois registros abertos. O sistema não sobrepõe um no outro e não aponta o que mudou.
Vale registrar também o que não foi confirmado: nenhuma resolução tornando o odontograma obrigatório foi encontrada em fonte oficial. Ele é expectativa forte de mercado e de perícia, e o texto aqui para por aí.
Assinado, o odontograma não muda
O odontograma segue a mesma regra do resto do registro clínico. Depois de assinado, ele não se apaga e não se reescreve. Se você marcou o 26 errado, a saída é corrigir: nasce uma versão nova, com o motivo escrito por você, e a anterior fica guardada, marcada e acessível. Só o autor corrige.
Isso é chato num primeiro momento e é a coisa certa no dia em que alguém pedir a ficha. As regras completas estão no post sobre o prontuário eletrônico para consultório. A grade nasce dentro de um atendimento marcado na agenda de consultas. E quando o paciente precisar levar um papel na mão, o caminho é outro: a declaração de comparecimento e o atestado saem do mesmo atendimento.
O que o odontograma do Atendatec não faz
Não desenha a forma dos dentes: a grade é de quadrados numerados, e essa escolha foi deliberada, porque quadrado com número e sigla se lê no celular e num monitor pequeno.
Não conta dentes e não calcula índice nenhum. Não existe soma de cariados, não existe percentual e não existe escore.
Não compara com a consulta anterior, não destaca dente por ser mais sério e não sugere condição a partir do que você escreveu na evolução.
Não tem plano de tratamento por dente nem orçamento por dente: o registro é do dente inteiro, com a condição e a sua observação.
Hoje a grade é dos 32 permanentes.
Por onde começar
Crie a conta, cadastre o dentista com o registro no CRO e abra o formulário de odontologia no primeiro atendimento. Marcar oito dentes leva menos de um minuto, e a ficha do ano que vem já nasce legível.
O plano Free é permanente, não pede cartão e vem com os limites de volume de sempre: 1 sala, 25 pacientes, 25 atendimentos por mês, 1 profissional e 1 atendente. O odontograma está nele, igual ao do plano pago. O Pro remove esses limites por R$ 43,90 por mês ou R$ 387,00 por ano.
Perguntas frequentes
O que é odontograma digital?
É a ficha dos dentes dentro do registro do atendimento, no lugar do desenho impresso que cada pessoa marcava com a própria legenda. No Atendatec ele é uma grade com os 32 dentes permanentes, e cada dente recebe uma condição escolhida numa lista fechada de doze, mais uma observação escrita pelo profissional. A grade fica guardada junto com a evolução daquele dia, então abrir o atendimento de março mostra como estavam os dentes em março, com o nome de quem registrou.
Qual numeração de dente o Atendatec usa?
A notação FDI de dois dígitos, em que o primeiro número é o quadrante e o segundo é a posição do dente, que é a que o Manual do Prontuário do CFO manda usar. A ordem na tela é sempre a mesma: 18 até 11 e 21 até 28 em cima, 48 até 41 e 31 até 38 embaixo. Os 32 dentes ficam sempre visíveis, nunca escondidos e nunca reordenados por condição. No computador as duas arcadas aparecem lado a lado; no celular, cada quadrante vira uma linha, sem precisar arrastar a tela.
Quais condições dá para marcar em cada dente?
São doze: hígido, cariado, restaurado, restaurado com cárie, ausente, resto radicular, fratura, coroa, implante, tratamento endodôntico realizado, mancha branca ativa e extração indicada. Cada uma tem uma sigla que aparece dentro do quadrado do dente. A lista foi transcrita do bloco de problemas e condições do e-SUS APS, do Ministério da Saúde, e é fechada: não existe criar condição nova pela tela. Dente sem marcação é dente não avaliado, e hígido é escolha do profissional, feita quando ele olhou.
Dá para marcar mais de uma condição no mesmo dente?
Não, é uma condição por dente. O caso mais comum de dúvida, o dente restaurado que voltou a cariar, tem opção própria na lista, que é restaurado com cárie, justamente para você não precisar de duas marcações. Para o que a lista não diz, cada dente tem um campo de observação em texto livre, e é ali que entra o detalhe do caso. A janela do dente abre com o número no título, a condição numa lista e a observação embaixo.
O sistema conta cáries ou compara com a consulta anterior?
Não faz nem uma coisa nem outra. Não existe soma de dentes, percentual, escore nem índice de espécie alguma, e o sistema não sobrepõe o registro de hoje ao do mês passado para apontar o que mudou. A cor de cada condição serve para achar rápido na grade, e nunca diz que uma condição é mais séria do que outra: quem identifica de verdade é a sigla escrita no quadrado. O que o odontograma guarda é o que você registrou, e a leitura é sua.
O odontograma está no plano grátis?
Está, igual ao do plano pago, sem trava e sem cobrança à parte. O plano Free é permanente, não pede cartão e vem com os limites de volume de sempre: 1 sala, 25 pacientes, 25 atendimentos por mês, 1 profissional e 1 atendente. O Pro remove esses limites por R$ 43,90 por mês ou R$ 387,00 por ano. Para usar o odontograma basta o dentista estar cadastrado com o registro no CRO preenchido.